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Relator começa a analisar hoje teor da denúncia contra o presidente Temer

Em 02/10/2017 às 11h59


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O deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB) deve desembarcar hoje em Brasília e se debruçar sobre as 200 páginas do processo que contém a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. "Ainda não tenho conhecimento do teor. Vou analisá-lo e terei cinco ou seis dias para elaborar um relatório que deverá estar pronto até a próxima sexta-feira", revelou na última sexta, de Barbacena, sua cidade natal e onde passaria o fim de semana.

Bonifácio de Andrada foi escolhido relator pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Para que o Supremo Tribunal Federal (STF) possa julgar a denúncia, é preciso autorização da Câmara. E antes de ir ao plenário, o assunto tem de passar pela CCJ. O deputado mineiro dará um parecer pela aprovação ou rejeição da denúncia.

"O teor tem alguns aspectos penais, mas o parecer será feito com base na constitucionalidade", informou o deputado, que foi professor de Direito Constitucional na PUC-Minas.

Suplente na CCJ, Bonifácio de Andrada não votou na comissão, mas em plenário manifestou-se contra o prosseguimento da primeira denúncia contra Temer, em agosto. Desta denúncia, também são alvos, entre outros, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Andrada negou que estivesse em Barbacena a fim de fugir de eventuais pressões a respeito do seu parecer. "Estou aqui sob recomendação médica. Estou com um problema no joelho e o médico aconselhou-me a descansar um pouco", justificou, acrescentando que aproveitaria o tempo para estudar a parte teórica do processo.
Segundo ele, a análise deverá ser "puramente técnica", e com base nos preceitos constitucionais, por envolverem tanto o presidente da República quanto ministros. "Vou estudar o processo dia e noite durante cinco ou seis dias. Só assim manifestarei minha posição", afirmou.

História
O deputado faz parte da quinta geração de um clã que está envolvido com a política nacional desde 1821. O mais velho da Câmara dos Deputados comemorou 87 anos em maio, está no décimo mandato consecutivo. Em Barbacena circula a informação extra-oficial de que ele concorrerá a uma das duas vagas ao Senado no ano que vem.

Em 1984, época do movimento das Diretas Já, era o líder do extinto PDS. No dia da votação da emenda Dante de Oliveira (que restabelecia o voto direto para presidente da República), não foi ao Congresso. Alegou que era a favor das diretas, mas não poderia divergir do partido, que era contra.

Já na primeira eleição presidencial pós-ditadura, em 1989, foi o vice na chapa do então candidato Paulo Maluf, ainda pelo PDS. Ficaram em quinto lugar, quando foi eleito Fernando Collor de Mello.


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