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Novo exame para detectar câncer de próstata reduz necessidade de biópsia

Em 30/10/2017 às 08h33


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Uma equação matemática resultante da combinação de três marcadores presentes em amostras sanguíneas de homens foi responsável por uma recente e substancial mudança no diagnóstico do câncer de próstata. 

Com a entrada do Novembro Azul, mês escolhido pelos profissionais da saúde para dar foco e trabalhar a conscientização sobre a doença, volta-se a ressaltar a importância da detecção precoce da enfermidade para a sobrevida dos pacientes.

Afinal, nove em cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata em estágio inicial têm garantia de sucesso no tratamento. Neste cenário, um exame laboratorial apurado pode ser um dos pontos-chave para uma detecção mais precisa e, também, para se evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias.

Neste ano, foi disponibilizado no Brasil um teste que pode reduzir em até 30% o número de biópsias prostáticas realizadas. Trata-se do Índice de Saúde da Próstata (PHI, do inglês Prostate Health Index).

A metodologia tradicional para detectar a enfermidade se dá pela alteração das enzimas PSA Total e PSA Livre e o toque retal realizado pelo urologista. O PHI soma uma terceira aferição, que é do p2PSA, realizando um cálculo matemático que vai evidenciar se o homem possui uma variação mais sugestiva de malignidade.

"O PHI permite que o urologista estratifique em baixo, médio e alto risco o paciente. Se o médico tem alguma dúvida, este exame consegue postergar a biópsia ou não", afirma William Pedrosa, médico da assessoria científica do Hermes Pardini.

O PHI é recomendado para homens a partir dos 50 anos, que apresentam nível de PSA Total entre 2,0 e 10,0 ng/mL, sem alteração no toque retal

Consequências

O especialista lembra que a biópsia é um procedimento invasivo e que pode provocar uma série de desconfortos ao paciente. 

"Tem como possíveis consequências a presença de sangue no esperma e na urina, sangramento retal, inflamação ou infecção na próstata (prostatite), além de sintomas gerais como febre, infecção urinária, e outras complicações que podem até gerar internações", revela o médico.

O urologista Mateus Furtado, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, destaca que cerca de 75% das biópsias prostáticas realizadas têm resultado negativo para câncer. Por isso, ele aposta em exames como o PHI e a ressonância magnética.

"Existem causas não-malignas que aumentam o PSA, como uma hiperplasia benigna, por exemplo. Já o paciente que tem um PHI alterado, a biópsia é positiva em cerca de 70% dos casos. É uma inovação que acrescentou muito, assim como a ressonância, que nos ajuda a definir se o paciente tem uma doença indolente", explica.

Ricardo Muzzi do Hermes Pardini, criopreservação, congelamento de sêmen, esperma

"Se mantido na temperatura adequada, o tempo de conservação do sêmen é indeterminado", informa Ricardo Muzzi, biomédico do Instituto Hermes Pardini

Congelamento de sêmen é alternativa para pacientes

Segunda maior causa de mortes entre homens no país, o câncer de próstata atingiu pelo menos 61 mil brasileiros no último ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), causando a morte de mais de 13 mil deles. 

Para tumores detectados precocemente, tratamentos alternativos como a crioterapia e o ultrassom de alta frequência têm sido utilizados, apesar de "não haver resultados a longo prazo que confirmaram a efetividade deles", informa o urologista Mateus Furtado.

Hoje, conforme o especialista, apesar de a cirurgia de remoção da próstata ainda ser temida por eles, o procedimento ganhou precisão e efetividade com os processos laparoscópicos e robóticos. "Quando detectado o tumor em fase inicial, é possível preservar a inervação, o fluxo sanguíneo e as funções fisiológicas normais", coloca o médico.

No entanto, apesar de toda essa evolução, radio, hormônio e quimioterapia ainda são amplamente necessárias para o tratamento do câncer de próstata. Tais procedimentos, além dos benefícios e prejuízos bem conhecidos por grande parte da população nos homens, podem provocar a queda na produção de espermatozoides ou mesmo chegar a ausência deles, a esterilidade.

Orientação

Antes de iniciar qualquer tipo de tratamento para esta espécie de câncer, é importante que o urologista ou oncologista oriente o paciente sobre as possibilidades de não poder ter filhos após o procedimento. Se este for um desejo do homem, criopreservar o sêmen é a melhor alternativa. 

De acordo com Ricardo Muzzi, biomédico especialista em reprodução assistida Criovida – Unidade de Criopreservação do Instituto Hermes Pardini, nos últimos anos a busca pelo serviço por pacientes que estão nesta situação tem aumentado. 

"O banco de sêmen sempre teve procura grande para quem deseja fazer vasectomia, mas o cenário tem mudado com a entrada desse outro perfil", revela Muzzi.

O biomédico conta que os pacientes costumam chegar abalados emocionalmente, mas que não sentem constrangimento algum em realizar o processo, já que o objetivo é futuramente fazer uma inseminação artificial.

Para criopreservar o sêmen é preciso passar por uma triagem clínica, consulta com urologista e exames sorológicos. Além disso, estar em abstinência sexual mínima de dois e máxima de sete dias para a coleta do esperma, que é preservado em nitrogênio líquido a menos de 195°C.

Além Disso

No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, segundo os dados mais recentes de mortalidade do Inca. Durante o Novembro Azul, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta para a enfermidade e a importância de se procurar o médico para uma avaliação individualizada.

Apesar dos avanços terapêuticos, cerca de 25% dos pacientes com câncer de próstata ainda morrem devido à doença. Atualmente, cerca de 20% ainda são diagnosticados em estágios avançados, embora um declínio importante tenha ocorrido nas últimas décadas em decorrência, principalmente, de políticas de rastreamento da doença e maior conscientização da população masculina.

"Uma forma de tratamento que vem ganhando volume nos últimos anos é a vigilância ativa, na qual não se trata um câncer de baixa agressividade, passamos apenas a acompanhar sua evolução em exames periódicos", explica o presidente da SBU, Archimedes Nardozza.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir de 50 anos procurem um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles de etnia negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. 

Para esclarecer a doença, a entidade disponibilizou no portaldaurologia.org.br diversos textos e vídeos sobre o câncer de próstata. 


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